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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Diversidade de aves brasileiras impulsiona o turismo de 'birdwatching' no país

Diversidade de aves brasileiras impulsiona o turismo de 'birdwatching' no país


MARCEL VINCENTI 
Colaboração para o UOL, de São Bento do Sapucaí *

O Brasil é, segundo levantamento de 2010 do Centro Brasileiro de Estudos Ornitológicos, o país que abriga a segunda maior quantidade de aves catalogadas no mundo. São 1.832 espécies encontradas nos mais diferentes biomas e paisagens. E observá-las tem sido, cada vez mais, um grande atrativo para turistas do mundo inteiro.
'Birdwatching' é o termo utilizado para designar a prática de observação de aves em seu habitat natural. No Brasil, tal atividade tem ganhado cada vez mais adeptos, que viajam exclusivamente para ver de perto - e retratar - espécies exóticas de pássaros e aves de rapina.
“Nosso país, em função de suas características ambientais, oferece oportunidades perfeitas para a observação de aves”, explica a ornitóloga Adriana Prestes, que trabalha em um projeto de ‘birdwatching’ na Serra da Mantiqueira, interior de São Paulo. “Se realizado corretamente, trata-se um turismo de baixo impacto no meio ambiente e que desperta consciência ecológica nas pessoas”.

Não se sabe quantos praticantes de ‘birdwatching’ existem no Brasil, mas são muitos os estrangeiros que vêm ao país para ter experiências ecológicas. De acordo com pesquisa do Ministério do Turismo, 27% dos cinco milhões de estrangeiros que visitaram o Brasil em 2010 tinham como objetivo praticar atividades relacionadas à observação da natureza.
O Wikiaves, hoje um dos principais sites dedicados à observação de aves na América do Sul, por sua vez, congrega um número significativo de perfis de aficionados brasileiros: cerca de 8.300 pessoas.
Morador de Paulínia (SP), o analista de sistemas Jefferson Rodrigues é um deles. Munido com uma câmera equipada com uma potente teleobjetiva, ele percorre o Brasil em busca de contato mais próximo com os pássaros. “É uma ótima forma de fazer turismo, pois sempre acabo indo a lugares bonitos e volto para casa com lindas fotografias”, conta ele.
Destinos ideais
Com o objetivo de fazer 'birdwatching', Jefferson já esteve na Chapada dos Veadeiros (GO), em Ubatuba (SP) e até em Cubatão (SP), onde conseguiu captar imagens do guará (uma belíssima ave de coloração vermelha).
O Brasil, como é de se esperar, oferece abundância de lugares onde o turista pode observar aves. A região de Campos do Jordão, no interior paulista, é uma delas, e ganhou no último dia 22 de outubro um programa de visitas guiadas por seus bosques.
A atividade é realizada pelo Ecoparque Pesca na Montanha, que ocupa uma área verde de 500 mil m² no município de São Bento de Sapucaí (localizado a cerca de 200 km da capital paulista) e abriga pelo menos 60 espécies de aves - como gaviões, pica-paus, surucuás, saíras e pintassilgos.
Acompanhados de um biólogo, os ‘birdwatchers’ entram nas trilhas do parque carregando roupas camufladas, teleobjetivas, binóculos, amplificadores de som e muita paciência. Alguns têm os ouvidos treinados e reconhecem cada canto que chega através dos pinheiros e araucárias. Com os amplificadores ligados a iPods que contêm arquivos com centenas de gorjeios, eles reproduzem o canto para fazer o pássaro se aproximar.
Câmeras em punho, esperam apreensivos - às vezes por quase meia hora - até que as aves pousem em galhos próximos e sejam prontamente fotografadas. Uma boa imagem vale um grito de alegria, como se o felizardo tivesse vencido na loteria.
“Esta é uma área de soltura e monitoramento de vida silvestre”, diz a ornitóloga Adriana Prestes. “Muitos das aves encontradas aqui foram trazidas pelo Ibama, após serem apreendidas em rotas de tráfico de animais ou serem encontradas em estado de debilidade física. Agora, recuperadas e livres novamente, elas provam que observação e conservação podem andar lado a lado”.
Ao final de um passeio de 90 minutos, os ‘birdwatchers’ conseguem fazer pelo menos duas dezenas de ótimas fotos e gravar o som de cerca de dez aves. “É uma experiência ótima, pois ensina as pessoas a apreciar as aves livres, e não dentro de gaiolas”, diz Rafael Fortes, outro fanático por ornitologia. “Espero que essa moda pegue”, conclui.
Lugares para realizar ‘birdwatching’ no Brasil
A melhor época para realizar ‘birdwatching’ no país é entre agosto e dezembro, período em que muitas espécies acasalam e estão em constante movimento pelo ar. Abaixo, alguns lugares para observar aves no Brasil:
coparque Pesca na Montanha
São Bento do Sapucaí (SP)
www.pescanamontanha.com.br/


Reserva Guainumbi
São Luís do Paraitinga (SP)
www.reservaguainumbi.com
Sítio Folha Seca 
Ubatuba (SP)
Localidades de Dourado (SP)
http://www.wikiaves.com.br/perfil_trogon


Parque Estadual Intervales
Ribeirão Grande (SP)
http://www.wikiaves.com.br/perfil_intervalesbirds
Parque Nacional do Itatiaia
Serra da Mantiqueira (RJ e MG)
www.parquenacionaldoitatiaia.com.br

Jardim Botânico de São Paulo
São Paulo (SP)
www.ibot.sp.gov.br/jardim/index.php
Parque Nacional da Serra da Canastra
Serra da Canastra (MG)
www.serracanastra.com.br/parque/parque.html

Santuário do Caraça
Santuário do Caraça (MG)
www.santuariodocaraca.com.br/inicial.php

Pantanal
Pantanal (MS e MT)
www.pantanalecoturismo.tur.br/

Bonito
Bonito (MS)
www.portalbonito.com.br/

Chapada dos Veadeiros
Alto Paraíso (GO)
www.chapadadosveadeiros.com

Ilha de Marajó
Ilha de Marajó (PA)
www.paraturismo.pa.gov.br/destinos/marajo.asp

Serra da Graciosa
Serra da Graciosa (PR)
www.turismo.pr.gov.br

Maciço de Baturité
Guaramiranga (CE)
www.portalguaramiranga.com.br

Dicas

Wikiaves: site para troca informações entre observadores de aves. www.wikiaves.com.br
Brazilian Birds: aplicativo para Android que traz informações completas (incluindo arquivos de gorjeios para download) sobre pássaros brasileiros. Ideal para baixar no celular e levar no bolso para as trilhas
Avistar Brasil: Encontro nacional de observadores de aves realizado anualmente, no mês de maio, no Parque Villa-Lobos, na capital paulista.www.avistarbrasil.com.br

Fonte: http://viagem.uol.com.br/ultnot/2011/11/08/diversidade-de-aves-brasileiras-impulsiona-o-turismo-de-birdwatching-no-pais.jhtm  Acesso em 08/11/2011

domingo, 21 de agosto de 2011

Ainda estamos longe? - Scientific American Brasil


Ainda estamos longe?
Filme sobre observadores de aves traz à tona problemas em praticar este hobby no Brasil
por Bruno Francheschi Troiano
A comédia The Big Year, baseada no livro de Mark Obmascik The Big Year: A Tale of Man, Nature and Fowl Obsession, estreia em outubro nos Estados Unidos e divulga ao público um hobby cada vez mais comum: a observação de aves, ou birdwatching.


O filme mostra três homens disputando uma competição de observação. O objetivo dessa disputa é ver quem consegue encontrar as aves mais raras dos Estados Unidos. O trio é formado pelos atores renomados Jack Black, Steve Martin e Owen Wilson. O filme ainda estará recheado de personagens presentes na vida dos ornitólogos de todo o mundo, como uma pesquisadora de aves marinhas e um blogueiro de aves – que, aliás, será interpretado por Jim Parson, o famoso Sheldon de The Big Bang Theory.

Para alguém que estude aves, não é novidade que os norte-americanos têm um elo íntimo com esses belos seres alados. É comum nos Estados Unidos e Canadá encontrar observadores de aves com seus binóculos e câmeras pendurados no pescoço em busca de uma nova espécie. Torço muito para que os brasileiros estejam cada vez mais dispostos a praticar este hobby extremamente prazeroso. Mas quais são ainda as grandes dificuldades?

Primeiro de tudo, o preço dos equipamentos. É claro que um observador amador não precisa ter os melhores equipamentos. Com muito custo consegui comprar quase tudo que precisava, e realmente o preço não foi nada motivador. Para começar, um “amante das aves” iniciante vai desembolsar uma bagatela de 200 reais – e acreditem, esse é o mínimo do mínimo. Tenho amigos que já gastaram muito mais que isso em um colete de campo! Quem tem oportunidade de viajar para os Estados Unidos pode aproveitar o preço dos equipamentos lá; mas mesmo assim não espere gastar menos de 800 dólares.

Segundo, a dificuldade que as autoridades brasileiras impõem aos observadores. Os parques começam a funcionar, normalmente, às 7h30 da manhã. O ideal para observar aves é sair antes de o sol nascer, quando os animais começam a vocalizar. E existem lugares onde não podemos entrar com binóculos ou com qualquer outro equipamento!

Terceiro, a violência. Fico realmente preocupado de sair para “passarinhar” com meus equipamentos. Como observar as aves em um parque com um binóculo de 390 dólares e saber que a qualquer momento alguém pode roubá-lo de você? Mesmo no parque do Ibirapuera, o mais conhecido dos parques de São Paulo, roubos acontecem.

Citei apenas três dificuldades, mas sabemos que são muitas. Devemos desenvolver uma política na qual esse e outros “hobbys ecológicos” sejam mais praticados, já que ajudam a criar consciência ambiental e a preservar espécies ameaçadas.

Espero que o filme, que estreará apenas em março de 2012 em terras tupiniquins, ajude a divulgar esta causa e inicie um “boom” ornitológico nacional!




Fonte: http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/ainda_estamos_longe_.html

domingo, 1 de maio de 2011

Ver para preservar

Hobby muito popular no exterior, observação de pássaros cresce no Brasil e ajuda a manter paraísos ecológicos
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POR JOÃO RICARDO GONÇALVES
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Rio - Do Zé Carioca aos personagens de ‘Rio’, filme recém-lançado nos cinemas, o Brasil sempre foi o cenário de desenhos animados que o divulgam no exterior. O que muita gente não sabe é que o País é também o segundo maior paraíso de aves de carne, osso e penas que parecem ter saído da aquarela de artistas. A biodiversidade das aves brasileiras só perde para a da Colômbia, o que abre espaço para um hobby muito mais comum lá fora do que aqui, e que ajuda a preservar o Meio Ambiente: a observação de pássaros.

Atualmente já foram registradas mais de 1.800 espécies de pássaros no Brasil. Cerca de 200 não podem ser encontrados em nenhum outro lugar do mundo. Há vários tipos de observadores de pássaros, desde que os que deixam alimentos para ver beija-flores na varanda até os mais dedicados, que mantêm uma lista com as aves que já viram e fotografaram, e viajam para aumentá-la.

O segmento é formado por biólogos e cientistas, mas também por leigos que querem simplesmente admirar e conhecer melhor a beleza dos pássaros.

Eles se organizam em clubes — o do Rio de Janeiro é um dos mais atuantes do País — e sites como o ‘Wikiaves’, que já tem mais de 5 mil colaboradores, mostrando o aumento do interesse pelo assunto.

O grupo também criou um segmento turístico específico, que já rende dinheiro em outros países e, há cerca de cinco anos, começou a chamar a atenção também de agências de turismo brasileiras. Segundo a bióloga Martha Argel, uma das autoras do ‘Guia Aves do Brasil: Pantanal & Cerrado’, investir na observação de pássaros como opção turística ajuda na preservação da natureza.

“O ‘birdwatching’ (observação de aves) é um hobby, mas também é uma ferramenta de proteção, já que as regiões florestais têm maior diversidade de pássaros. O turismo nesses lugares gera renda para comunidades locais e depende da preservação ambiental”

Acesso em 01 maio 2011

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Blog Aves de Jaú - 2 anos

O Blog Aves de Jaú completou 2 anos de existência no final do mês de setembro. Com uma proposta despretensiosa e ao mesmo desafiante surgiu para ilustrar e demonstrar as aves no meio urbano que nos deparamos e não notamos.
De lá para cá foi uma longa trajetória, muitas aves registradas, muitos contatos, muitos amigos e a defesa permanente das aves livres.

Para comemorar esses dois anos de permanência na rede, o blog Aves de Jaú lança duas questões para seus visitantes e para alguns amigos:

  • Como você imagina a observação de aves daqui a dois anos?

  • Como você espera que seja tratado o tema da conservação e da proteção às aves e consequentemente ao meio ambiente em nossas cidades, estados e em nosso país nestes próximos dois anos?

Quem quiser comentar e deixar sua resposta, fique bastante a vontade!

E muito obrigado pelo apoio e interesse ao longo desses dois longos anos.

Paulo Guerra

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Terra de aves, Brasil desperdiça potencial turístico de observação

O Brasil é segundo país do mundo com maior diversidade de aves. Com 1.822 espécies, fica atrás somente da Colômbia (1.865 espécies). Contudo, o turismo para observação desses animais, mais conhecido pelo termo em inglês "birdwatching", ainda é fraco por aqui.
Segundo Guto Carvalho, coordenador da Avistar (Encontro Brasileiro de Observação de Aves), o país recebe cerca de 2.000 observadores de aves por ano. Se forem consideradas as pessoas que vêm ao país a negócios e que aproveitam para praticar a avistagem, o número sobe para 5.000. É pouco para o potencial da biodiversidade brasileira.
O terceiro país em diversidade de aves, o Peru (com 1.820 espécies), recebe em média 18 mil pessoas por ano, segundo Omar Barreda, da Comissão de Promoção do Peru para Exportação e Turismo. Hoje, a maioria dos turistas de observação de aves no Brasil é estrangeira.
"Cada turista fica em média de uma semana a dez dias. Nesse tempo, gasta cerca de US$ 2.000. Mais até, se incluirmos as passagens internacionais e guias. É difícil prever, mas a médio prazo esse mercado pode crescer de 300% a 500%. Assim, se continuar a incentivar esse tipo de turismo, o Brasil pode ganhar US$ 10 milhões por ano", afirma Carvalho.
Para tentar estimular a atividade, a Abeta (associação brasileira do ecoturismo) criou neste ano um material sobre a observação de aves no Brasil, em inglês, para ser distribuído no exterior. A ação tem o apoio da Embratur e do Ministério do Turismo. Em agosto, o folheto já foi distribuído na British Bird Fair, em Londres.
Israel Waligora, diretor socioambiental da Abeta, ressalta que foi "a primeira vez que o Brasil esteve presente institucionalmente nessa feira". "Em anos anteriores, algumas empresas e guias participavam de forma isolada e desarticulada", afirma o dirigente.
O país, porém, muitas vezes não facilita a prática e até a atrapalha. Segundo José Fernando Pacheco, diretor do Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos, o melhor horário para fazer observação é ao nascer do Sol, mas muitos parques só abrem após as 8h. "No Bosque da Barra, no Rio, se você faz jogging pode entrar antes de o parque abrir oficialmente, mas se está com binóculos não pode", diz. "Alguns até tentam fingir que são corredores."
Pacheco conta também que na reserva biológica Sooretama, no Espírito Santo, não são mais permitidos observadores de aves. Segundo ele, a justificativa é que o uso de "playbacks" de cantos de pássaros -as "iscas" sonoras para atrair as aves- estressa os animais. "Mas em 30 anos eu nunca vi problema nenhum. Nos EUA, em que num espaço pequeno existem 500 pessoas usando "playback", pode haver prejuízo, mas aqui é diferente", afirma.

Conservação
Na opinião dos organizadores da atividade, a observação de aves pode ajudar na conservação das espécies e, também, no aumento de conhecimento científico. Muitos observadores passam dicas sobre novas aves a cientistas ou redescobrem espécies consideradas extintas. Delta Willis, da entidade americana Sociedade Nacional Audubon, diz que há cem anos observadores de aves têm participado da contagem anual de animais feita pela instituição.
"Essas informações vão para o relatório da situação das aves, que contém boas e más notícias. "Birdwatchers" documentaram, por exemplo, o retorno da águia-americana, que esteve à beira da extinção, e o declínio de aves comuns, como a codorna "bobwhite" [Colinus virginianus]", afirma Willis.
Apesar de a observação de aves ainda não ser popular no Brasil, um evento com congressos sobre o tema, o Avistar, cresce ano a ano. Em 2006, o público foi de 3.000 pessoas, no ano seguinte, passou para 15.000 e, neste ano, 25.000.
"A observação de aves era um assunto de pequenos clubes e de cientistas, ornitólogos. De alguns anos para cá esse número começou a crescer exponencialmente", diz Carvalho. Mas ainda é pouco se compararmos com os EUA -uma pesquisa do governo mostrou que, em 2006, 47,7 milhões de americanos observaram aves.

Riqueza biológica
A América do Sul é o continente mais rico do mundo em aves, assim como a África se destaca por mamíferos. Boa parte dessa diversidade se deve aos Andes. "A Colômbia [que possui 1.865 espécies] tem três cadeias de Andes, uma área de floresta amazônica, um pedaço de Caribe com floresta própria, entre outros ambientes", diz Pacheco. Naquele país, porém, a violência das Farc atrapalha o turismo na Amazônia.
No Brasil, o número passou de 1.590 espécies em 1981 para 1.822 espécies em 2008 -um aumento de 14,5%. A razão do crescimento é principalmente a descoberta de "espécies escondidas", ou seja, perceber que animais classificados como subespécies são, na verdade, outras espécies. Isso só acontece ao estudar melhor os animais e seus hábitos.
Mesmo havendo muitas espécies, não se pode ignorar que elas têm sofrido com a perda de seus habitats por meio do desmatamento. No Brasil, há 160 espécies na lista de ameaçadas de extinção do Ministério do Meio Ambiente (9% do total).
Pedro Develey, diretor de conservação da Save (Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil), diz que, enquanto ainda se descobre a biodiversidade da Amazônia, o país perde populações de outras espécies na mata atlântica e no cerrado.

Texto de AFRA BALAZINA
Folha de São Paulo, 12 de janeiro de 2009