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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Ainda bem que existe contraponto

Adriano Gambarini, fotógrafo, precisa ter olhar apurado, paciência e persistência para registrar a fauna e a flora dos lugares por onde passa. Inúmeras vezes o vi entrar sozinho na floresta sem medo de se perder e com 40 quilos de equipamentos nas costas atrás de belas imagens. Isso inclui passar por situações extremas, como em uma viagem que fez pelo Amazonas onde ficou 20 dias coberto com panos para não ser picado por abelhas, centenas delas, que ziguezagueavam pelo ar o tempo todo.

Gambarini atua profissionalmente há 19 anos sem nunca ter estudado fotografia. Com um acervo de mais de 80 mil fotos sua missão é, acredita, compartilhá-las. “A natureza, em sua forma sutil de ensinar, me mostrou que estamos no mundo por alguma razão. A beleza do simples, a quietude falante, o tempo andando a passos lentos. Se tive o privilégio de vivenciar tantas coisas, tenho a obrigação de compartilhar. Nada é imposto: faço isso para agradecer àquele que me deu este privilégio. Parece que assim tudo que vivi se torna realmente real dentro de mim. A vida é uma benção - e conhecimento só se torna sabedoria quando é compartilhado”. Gambarini é autor de dez livros.

Para ler o artigo completo:

A Ciência e seu herois anônimos - Karina Miotto - O ECO

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Alguma coisa lembrando a crueldade tantálica

Muito me espantou o artigo “Crueldade Tantálica”, veiculado no site Criatório de Curió Jaú (http://www.curiojau.hpg.com.br/), pertencente ao senhor Antonio Russi, de autoria de Gilson Barbosa(Bahia). O espanto surgiu, não deveria, pois o referido autor em defesa do indefensável utilizou-se de sofismas pretensamente eruditos, de idéias circulares para justificar o amor que nutre aos pássaros. Amor esse que encarcera seu objeto de desejo, para tê-lo em seus cuidados, oferecendo guarida, alimento, água, pasmem espaço para se movimentar, livre de doenças e de seus predadores naturais. Um mundo asséptico, anti-natural.
Não poderíamos deixar de perceber que o autor seja um aficionado e partindo dessa situação faz uma representação descuidada sobre seu estado e grau de interesse. Talvez não sabia ou nunca pensou que existe dois conceitos embutidos nesta discussão: o que é natural e o que é cultural. O homem ao buscar sua emancipação produziu cultura e transformou o que é natural. Mesmo sendo homem natural, por oposição também tornou-se cultural. Ou seja, de sua natureza primeira, construiu, elaborou, teceu, permitiu que, da produção para sobrevivência surgissem tanto do meio natural, como da transformação do natural pela cultural. E dessa forma tornando-se afeiçoado e “avançando” em seu estágio cultural pode aprisionar a representação do natural, do simbólico da liberdade, e trazer para perto de si, para se sentir um pouco mais natural e um pouco mais liberto.
Não existe romantismo, nem amor desabusado, muito menos intocabilidade. Quem defende a liberdade das aves, dos animais, a defesa dos biomas, também pensa no uso sustentável dos recursos naturais. Enxerga que, somente poderemos viver com qualidade com a conservação do que resta e a recuperação daquilo que ainda é possível. A visão é que não pensemos somente no mundo natural e sim como interferimos com nossa cultura nesse mundo natural. Sem descuidarmos que neste processo, é a luta que os homens ensejam pela libertação do seu estado de desconhecimento, das amarras dos preconceitos. Mais ainda, que pensemos no avanço da interação socioambiental.
Outra idéia-força do artigo, é que não podemos humanizar em demasia as aves. Neste ponto concordamos, se não podemos humanizar, muito menos tornar as aves objetos, como enfeites ou apêndices. Uma ave não é um objeto animado, ocupa um lugar, em um certo tempo, distingui-se dos demais, se produz e reproduz, exerce um papel, tem uma função, faz parte de um todo, responde a estímulos, possui herança genética.
Talvez a crueldade tantálica neste caso, seja ver e não enxergar e não permitir a expansão dos horizontes. Quando constatamos que existe a escassez ou até a inexistência de determinadas espécies em uma certa região. Não foi somente o tráfico ilegal de espécies silvestres que levou a este quadro e sim, também a caça e o aprisionamento irrefletido de supostos amantes dos pássaros. O que foi aprisionado em determinada época, deixou sua condição de espécie silvestre? Outra idéia que não se sustenta, a ave aprisionada por muito tempo, não desenvolve amor pela gaiola e por seu criador, é sim uma relação de dependência por aquele espaço circunscrito e pela regularidade de sua alimentação. Como diriam alguns amigos, elas não cantam, apenas lamentam.
Reiterando, a principal crueldade tantálica não é aquela cometida contra as aves, é aquela absurdamente reafirmada para si mesmo.