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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

País que preserva o verde enriquece

A lógica mais repetida pelos governantes de países pobres é a de que as leis de proteção ambiental limitam a atividade agrícola e a exploração dos recursos naturais e suas florestas, o que pode contribuir para o aumento da pobreza. Eles temem uma redução ainda maior das atividades econômicas nessas regiões pouco desenvolvidas. Como a extensão das áreas protegidas mais que dobrou nos últimos 20 anos, a preocupação dos governantes com o impacto social dessas reservas também cresceu.
Porém, a aplicação de leis de preservação do meio ambiente pode ter uma consequência economicamente favorável: a ampliação da rede turística nos locais protegidos, o que demanda investimentos em infra-estrutura e, por consequência, a geração de empregos. O turismo já emprega 10% dos trabalhadores do planeta e o ecoturismo vem crescendo a um ritmo de 20% ao ano.
Há que se considerar que proteger a diversidade biólogica para as gerações futuras não é barato. Em uma análise publicada na revista Nature, em 1999, o economista e professor da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, Alexander James estimou que, no mundo todo, seriam necessários US$ 17 bilhões por ano para criar e manter um sistema de preservação que cubra 15% da superfície do globo - e este não seria o único custo envolvido. Mas o turismo seria capaz de compensar os investimentos e a limitação a outras atividades econômicas. É o que demonstra um estudo publicado esse ano em uma das revistas científicas mais respeitadas no mundo, a Proceedings of the National Academy of Sciences. Uma equipe de economistas e geógrafos estimou o impacto de áreas protegidas na situação social da Costa Rica e da Tailândia ao longo de 20 anos. Nos dois países, as reservas foram criadas em regiões miseráveis - na Costa Rica, os moradores dessas áreas eram três vezes mais pobres do que a média do país.
Em sua análise, os autores do estudo encontraram provas de que o grande impacto da proteção do ecossistema foi melhorar a integração dos habitantes à floresta e aliviar a pobreza. Na Tailândia, uma simulação a respeito do que aconteceria se aquela mata não fosse protegida indicou que os moradores seriam 30% mais pobres do que são atualmente. As experiências bem-sucedidas da Costa Rica e Tailândia lançam uma nova luz sobre o trabalho iniciado pelo Brasil em 2002 com as áreas protegidas da Amazônia, que pretende transformar até 2013, 60 milhões de hectares em áreas de preservação ambiental e exploração do ecoturismo ao custo de US$ 180 milhões. Com isso, a parte brasileira da floresta, que tem 23% de área protegida, passaria a 30%. Este foi o primeiro estudo do gênero, mas faz sentido: áreas de matas não se desenvolvem com plantações predatórias e extrativismo desorganizado.

Texto: Paulo Ferraro, é economista e professor da Georgia State University
Fonte: Revista Galileu, Agosto de 2010, nº 229, p. 96-7

sábado, 19 de junho de 2010

Fotos ajudam a preservar

Pesquisadores querem a ajuda da população para evitar que pássaros hoje considerados comuns venham a ser ameaçados de extinção. E pedem um gesto bem simples, que imagens destes animais sejam registradas em websites especializados na internet. Para os pesquisadores, este é o caminho para se construir um grande banco de dados que pode ajudar a estabelecer quais espécies estão ameaçadas ou correm o risco de entrar nesta lista.

Um grupo de cientistas, liderado pela doutora Elizabeth Boakes, do Imperial College London, levantou 170 mil registros feitos nos últimos dois śeculos de 127 espécies de galiformes, que incluem um terço das espécies de pássaros ameaçados de extinção. A conclusão é que faltam registros recentes sobre os pássaros mais comuns e os dados antigos estão ameaçados pela ação do tempo, falta de cuidados e dificuldade de acesso. O resultado da pesquisa foi publicado na edição desta terça-feira, 1o de junho, da PLoS Biology .

“Nós precisamos da ajuda de pessoas para registrar os pássaros que elas vêem, mesmo em lugares comuns, em websites de observadores de aves”, afirma a doutora Elizabeth Boakes. “Pessoas podem pensar que não estão ajudando ao registrar um pombo no centro de Londres, mas isto pode fazer uma grande diferença , porque não sabemos quais serão as espécies ameaçadas no futuro”, acrescenta.

Um quarto dos registros identificados pelos pesquisadores durante o levantamento foi obtido em museus, que têm grande valor para o estudo histórico da biodiversidade. No entanto, muitas instituições sofrem com a falta de verbas e não conseguem manter adequadamente as coleções. Na literatura, registros também estão ameaçadas pelo tempo. Além disto, muitos dos 20 registros literários encontrados pelos pesquisadores são de acesso restrito ou difícil.

Dados de websites onde o público registra imagens de pássaros ainda representam menos de 1% dos dados coletados pelos pesquisadores. Mesmo assim, eles acreditam que internet vai permitir que “cientistas-cidadãos” criem um grande impacto para o futuro da pesquisa sobre biodiversidade.

Elizabeth Boakes destaca a necessidade de websites buscarem e disponibilizarem informações mais precisas sobre os registros, inclusive com localização em mapa. De acordo com ela, sites que concentrem estas informações agilizam os estudos, já que a busca em páginas pessoais ou blogs pode tomar muito tempo. “Assim, nós podemos todos ajudar a criar um acessível, compreensível e permanente registro da biodiversidade”, adiciona a doutora Boakes.(Vandré Fonseca)