segunda-feira, 4 de julho de 2011

Estado de Minas - Ciência e Tecnologia: Canto de alguns pássaros segue as regras de sintaxe, como os humanos

Segundo pesquisadores japoneses, em seu canto, os sons são espaçados, como em uma divisão silábica, e emitidos na ordem certa, para que façam sentido


Paloma Oliveto - Correio Braziliense
Publicação: 30/06/2011 08:35 Atualização: 30/06/2011 08:36


Exemplares de pássaro manon: capacidade de perceber alterações na sequência de notas em uma música

Donos de animais de estimação costumam jurar que entendem o que seus bichinhos querem dizer. De fato, pesquisadores do Instituto Max Planck, na Alemanha, fizeram experimentos com cachorros e provaram que eles conseguem compreender algumas palavras e são capazes de expressar, pelo tipo de latido, sensações como medo, fome ou vontade de descer. E para por aí sua riqueza vernácula. Isso, no caso dos cães. Porque uma nova pesquisa, publicada na revista especializada Nature Neuroscience, mostra que, como os humanos, os pássaros têm noções gramaticais.

As aves podem não conjugar verbos no pretérito mais-que-perfeito do indicativo ou saber a diferença entre grafemas básicos sem diacríticos e vogais com acento agudo ou circunflexo. Mas, no seu canto, obedecem a regras de sintaxe. Ou seja, para que o "piu-piu-piu-piu" faça sentido, os sons precisam seguir uma ordem que torne o canto compreensível. Não basta abrir o bico e simplesmente deixar a música sair."Uma das características únicas da comunicação humana pela linguagem é o processo gramatical, as regras hierárquicas que ordenam elementos como as palavras", diz ao Estado de Minas Dai Watanabe, professor do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade de Kyoto, no Japão. Segundo ele, as vocalizações dos pássaros e o discurso humano compartilham muitas características. As músicas das aves canoras consistem em sucessões de sílabas, separadas por um intervalo silencioso. Algumas espécies, como os pássaros manon (Lonchura striata var. domestica), conseguem executar canções complexas do ponto de vista semântico. "As sequências de sílabas em seu canto são variáveis, mas eles as pronunciam de forma não aleatória, indicando que os pássaros canoros têm níveis de organização sintática como os observados na linguagem humana", completa Watanabe."Apesar de muitos animais, como cachorros, papagaios e macacos, serem conhecidos por interpretar e construir ‘frases’, além de reconhecer palavras humanas para objetos, apenas o pássaro manon exibe uma forma gramatical em seu discurso. Esses animais têm uma habilidade natural de processar as estruturas sintáticas em seus cantos", diz ao EM Kentaro Abe, também pesquisador da Universidade de Kioto e coautor do artigo. Ele conta que um estudo anterior mostrou que a espécie estorninho-comum (Sturnus vulgaris) pode ser treinada para discriminar sequências auditivas com a estrutura AnBn (por exemplo: AB, AABB, AAABBB) daquelas (AB)n (como AB, ABAB, ABABAB), onde cada letra significa uma vocalização. As estruturas têm um fonema diferente e o pássaro sabe diferenciá-los. "Esses resultados desafiaram a visão tradicional de que processar uma sequência é uma habilidade única dos humanos."Abe e Watanabe descobriram que o pássaro manon faz essa distinção porque está atento às regras da sintaxe. "Ao analisar como, espontaneamente, discriminam dos estímulos auditivos, descobrimos que esses pássaros usam uma ordem de sílabas para interpretar cantos específicos. Eles também conseguem adquirir regras gramaticais a partir de sílabas sintentizadas por cordas (música tocada por instrumentos musicais) e, novamente, discriminam a informação de acordo com essas regras", diz Abe. "Nosso estudo sugere que pássaros canoros e humanos têm muitas similaridades na sua percepção da informação auditiva, o que levanta a dúvida sobre algo considerado uma característica única da linguagem humana."No laboratório Para descobrir o senso sintático dos animais, a equipe de Abe coletou exemplares selvagens e os isolou em uma câmera acústica em laboratório. Primeiro, os cientistas tocaram músicas com as quais os pássaros não estavam habituados. Isso gerou reações. Toda vez que ouviam os sons estranhos, eles reagiam com vocalizações. Mas, depois de repetir as canções diversas vezes, os manons pareceram habituados e pararam de reagir. Então, os pesquisadores alteraram a ordem das sílabas das músicas e observaram uma estranha reação. Toda vez que um fonema diferente do original aparecia, o pássaro começava a vocalizar, como se estivesse avisando que aquilo estava errado. Se a música voltava ao normal, ele ficava quieto.Especialista em cantos dos pássaros, a bióloga Constance Scharff, da Universidade de Berlim, foi convidada pela Nature para comentar o resultado. A pesquisadora, que tem vários trabalhos tentando desvendar a vocalização dos canoros, mostrou-se entusiasmada. "Foi um experimento genial, mostrando que os pássaros são sensíveis a mudanças sintáticas. Mais e mais, estamos percebendo semelhanças entre humanos e animais. Infelizmente, para alguma pessoas, constatar isso não é fácil", comentou, na revista.

Fonte da notícia(texto e imagem) em 04/07/2011:
Estado de Minas - Ciência e Tecnologia: Canto de alguns pássaros segue as regras de sintaxe, como os humanos

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Coleirinho - Luiz Gama

Coleirinho 


 Luiz Gama

Assim o escravo agrilhoado canta. 
Tibulo 

Canta, canta Coleirinho,
Canta, canta, o mal quebranta;
Canta, afoga mágoa tanta
Nessa voz de dor partida;
Chora, escravo, na gaiola
Terna esposa, o teu filhinho,
Que, sem pai, no agreste ninho
Lá ficou sem ti, sem vida.

Quando a roxa aurora vinha
Manso e manso, além dos montes,
De ouro orlando os horizontes,
Matizando as crespas vagas,
— Junto ao filho, à meiga esposa
Docemente descantavas,
E na luz do sol banhavas
Finas penas — noutras plagas.

Hoje, triste já não trinas,
Como outrora nos palmares;
Hoje, escravo, nos solares
Não te embala a dúlia brisa;
Nem se casa aos teus gorjeios
O gemer das gotas alvas
— Pelas negras rochas calvas —
Da cascata que desliza.

Não te beija o filho tenro,
Não te inspira a fonte amena,
Nem da lua a luz serena
Vem teus ferros pratear.
Só de sombras carregado,
Da gaiola no poleiro
Vem o tredo cativeiro,
Mágoa e prantos acordar.

Canta, canta Coleirinho,
Canta, canta, o mal quebranta;
Canta, afoga mágoa tanta
Nessa voz de dor partida;
Chora, escravo, na gaiola
Terna esposa, o teu filhinho,
Que, sem pai, no agreste ninho
Lá ficou sem ti, sem vida.



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domingo, 19 de junho de 2011

Encontro de Observação e Fotografia de Aves

Encontro de Observação e Fotografia de Aves
Local: Parque do Rio Jaú - Jaú-SP
Data: 19/06/2011

Agradeço o comparecimento, foi uma manhã muito agradável com a possibilidade de formarmos um grupo de observadores de aves em Jaú. Além de toda prosa pudemos apreciar a presença de várias espécies como:bem-te-vi, suiriri, andorinha-serradora, pomba-de-bando, pequeno bando de bico-de-lacre, saracura-três-potes, cambacica, beija-flor-tesoura e a estrela dessa manhã: o príncipe. 
Certamente outros encontros virão e espero que tenham gostado.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

tuim

Tuim
Local: Parque do Rio Jaú - Jaú-SP
Data: 17/05/2011

Dedico esta foto a todos as pessoas que amam a natureza: querem ver nossas aves livres e nosso meio ambiente preservado.

domingo, 1 de maio de 2011

Ver para preservar

Hobby muito popular no exterior, observação de pássaros cresce no Brasil e ajuda a manter paraísos ecológicos
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POR JOÃO RICARDO GONÇALVES
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Rio - Do Zé Carioca aos personagens de ‘Rio’, filme recém-lançado nos cinemas, o Brasil sempre foi o cenário de desenhos animados que o divulgam no exterior. O que muita gente não sabe é que o País é também o segundo maior paraíso de aves de carne, osso e penas que parecem ter saído da aquarela de artistas. A biodiversidade das aves brasileiras só perde para a da Colômbia, o que abre espaço para um hobby muito mais comum lá fora do que aqui, e que ajuda a preservar o Meio Ambiente: a observação de pássaros.

Atualmente já foram registradas mais de 1.800 espécies de pássaros no Brasil. Cerca de 200 não podem ser encontrados em nenhum outro lugar do mundo. Há vários tipos de observadores de pássaros, desde que os que deixam alimentos para ver beija-flores na varanda até os mais dedicados, que mantêm uma lista com as aves que já viram e fotografaram, e viajam para aumentá-la.

O segmento é formado por biólogos e cientistas, mas também por leigos que querem simplesmente admirar e conhecer melhor a beleza dos pássaros.

Eles se organizam em clubes — o do Rio de Janeiro é um dos mais atuantes do País — e sites como o ‘Wikiaves’, que já tem mais de 5 mil colaboradores, mostrando o aumento do interesse pelo assunto.

O grupo também criou um segmento turístico específico, que já rende dinheiro em outros países e, há cerca de cinco anos, começou a chamar a atenção também de agências de turismo brasileiras. Segundo a bióloga Martha Argel, uma das autoras do ‘Guia Aves do Brasil: Pantanal & Cerrado’, investir na observação de pássaros como opção turística ajuda na preservação da natureza.

“O ‘birdwatching’ (observação de aves) é um hobby, mas também é uma ferramenta de proteção, já que as regiões florestais têm maior diversidade de pássaros. O turismo nesses lugares gera renda para comunidades locais e depende da preservação ambiental”

Acesso em 01 maio 2011